terça-feira, 31 de julho de 2012

Simplesmente gaúchos


SIMPLESMENTE GAÚCHOS

Tem gente que não tem alma
Outros não tem coração
Mas quem não tem tradição
Fica vagando pelo mundo
Num camperear rotundo
Sem ter eira nem beira
Perdido de uma maneira
Que até chega a dar dó
Atarantados no meio do pó
Sem seguir nenhuma bandeira

Do passado pouco sabem
E até mesmo não se importam
Ironia é o que comportam
Em suas mentes vazias
Criadas na hipocrisia
De falsa sustentação
Pois quem foi cria de galpão
Cheirando o picumã do braseiro
Sabe o que é ser brasileiro
E ama esse seu chão

Destas pessoas que falo
Afogadas na ignorância
Manobradas na inconstância
Do poder do endinheirado
Nunca aceitaram o brado
E a luta do povo gaúcho
Que em farrapos e queimando cartucho
Peleou pela querência
Na mais pura continência
Sem almejar o luxo

Ser gaúcho é mais que herança
É uma opção de vida
É uma emoção incontida
Difícil de explicar
Não tem como narrar
Usando as palavras frias
Pois só olhando a geografia
E o formato de coração
Entende que essa nação
É alma, paixão e poesia

Todo gaúcho é poeta
Do xucrismo sul rio-grandino
Pois traz no sangue o refino
Das peleias lutadas sorrindo
Do talho da adaga, que abrindo
Os horizontes das plagas gaúchas
A ferro, fumaça e garruchas
Foi moldando esse chão brasileiro
Com um perfil bagual altaneiro
Amparado na pólvora, na bala e na bucha

Não me nego a estender o braço
Pra quem precisa de fato
Pois isso não é um simples ato
Que possa ser feito sem consciência
É do povo gaúcho a decência
E a amizade para com os amigos
O respeito aos inimigos
Sem nunca curvar a espinha
E sem alarde, nem ladainha
Como faziam os mais antigos

Altivo por sobre um palanque
Com olhar fixo no futuro
Olhando acima dos muros
De pedras formando mangueiras
Espraiando à sua maneira
O conhecimento a muito aprendido
Que nunca fica contido
Em falácias de pouca expressão
Vai forjando a ferro e facão
A esperança para o desiludido

Com uma postura de rei
Que leva consigo seu povo
Sem achar que seja estorvo
Defender seus comandados
Clama e é aclamado
Por seus feitos e atitudes
Sejam tenras ou sejam rudes
As ações ficam no tempo
Marcadas no lombo do vento
E repetidas por quem não se ilude

Não é fácil falar desse povo
Com tanta riqueza de história
E às vezes me falta memória
E até mesmo conhecimento
Mas o que vem no momento
É o que trago por verdade
Reunindo simplicidade
Tenência e sensatez
Encontro no Português
Um resumo: identidade

É isso que sente o povo gaúcho
E aqueles que nele se inspiram
Identificam-se e compartilham
De uma mesma vertente de ideais
Sabem que os problemas são reais
E com firmeza tem de ser combatidos
Hajam mortos ou feridos
A vitória não vem com facilidade
Mas traz consigo a felicidade
De sermos um povo unido

Um Viva! a gaúchos e gaúchas
De todas as querências e pagos
Que em seus pensamentos mais vagos
Viajam pelo interior do pampa
Desfraldando a Bandeira, a estampa
Cavalgando em pelo, sem luxo
Dançando num baile, num estica e te puxo
Abraçados a mais simplória verdade
Que todos somos na realidade
Simplesmente GAÚCHOS.


Leandro da Silva Melo

2 comentários:

  1. Sem palavras...amigo Leandro esta poesia campeira em quantia, simplesmente emociona todo vivente de brio, e que ama este chão todo dia. Um baita quebra costela tchê!

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    1. Especial, de primeira, amigo Luís
      Esta poesia retrata aquilo que sinto como gaúcho e aquilo que consegui captar das pessoas que compartilham nossos ideais, mesmo tendo nascido em outros pagos.
      Um grande abraço!
      Leandro

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