sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Eu sou do mato

EU SOU DO MATO

Eu sou do mato
Onde cresce a Timbaúva
Onde o Leão-baio não tem juba
E o coice, pra mim, é afago
A lua alumiando o pago
De quando em vez, um vaga-lume
Do campo, sinto o perfume
Da hortelã e da maçanilha
E a coruja, na sua vigília
No tronco, seu posto assume

De onde eu venho
Assobia o Minuano
Das botas, só uso o cano
Os pés esparramados no chão
Meu pala é meu galpão
Meu mate é meu parceiro
Meu cusco meu companheiro
A querência é meu mundo
Do corredor à invernada do fundo
Me sinto livre por inteiro

Nos dias de chuva escrevo
No trançar do couro cru
Meu linguajar de xiru
No meu alfabeto campeiro
Sou peão e sou guasqueiro
Aquilo que tenho venero
Vou atrás e não espero
Que as coisas me caiam do céu
Sou abelha fazendo mel
Sou o grito do Quero-quero

Minha alma vive no campo
Rondando nas noites de lua
Salgando a carne crua
Preparando um charque especial
Nosso nobre ritual
Raízes de preservação
Consciência e conservação
De nossa maior riqueza
Nossa mãe natureza
Debruçada por este chão.


Leandro da Silva Melo



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